Lá se foi Thiago de Mello…

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Thiago de Mello

Além de admiração pelo poeta, tenho gratidão eterna pelo homem sensível e perspicaz que ele era.

Em 1998, fui destacada para coordenar a mesa de uma conferência num congresso ibero-americano de educação especial em Foz do Iguaçu, cujo tema geral era Diversidade na Educação: desafio para o novo milênio.

Argumentei com minha chefe que essa era uma temeridade, porque eu nem entendia de educação especial e nem falava línguas para participar de um evento que reunia gente de vários países. Ela foi implacável, no entanto: nada disso importava porque a pessoa que iria coordenar essa mesa teve uma hospitalização de urgência, em razão de um cálculo renal, e só havia eu mesma que pudesse quebrar esse galho de última hora.

Lá fui eu a contragosto e, como na época não havia muitos voos para Foz do Iguaçu, cheguei mais em cima da hora do que seria razoável e fui direto para o hotel do evento, imediatamente para a sala de organização receber instruções sobre a conferência que começaria em seguida.

Apanhei uma pasta com o currículo dos conferencistas, que eram três – um do Brasil, um da Espanha e um da Itália. Esse último possuía um currículo sem fim e então me aproximei para falar com ele a fim de saber o que poderia priorizar em sua apresentação, segundo os critérios dele. Repare, minha gente, que ele era italiano, eu brasileira, e não falo línguas…

Vi que ele se comunicava em espanhol com alguém que parecia ser uma pessoa de apoio local e pedia que fosse buscar em algum lugar um vídeo que usaria na sua apresentação e havia se esquecido de pegar.

Ficamos apenas ele e eu e – já me desculpando por não falar a língua dele e pedindo para que por gentileza falasse comigo em espanhol para eu poder entendê-lo – perguntei, em português, como ele gostaria de ser apresentado, visto que seu currículo era muito vasto. ‘Como preferir’ foi a resposta, e já comecei a ficar mais ou menos em pânico.

Ele me disse que gostaria de dividir o tempo de sua fala com um escritor brasileiro, que havia acabado de conhecer e que já admirava muitíssimo e, quando eu ia perguntar onde estava o escritor para poder acertar a logística considerando esse fato novo, me dei conta de que o conferencista era cego – e, portanto, não poderia me dizer onde estava o escritor na plateia.

O pânico aumentou um pouco e resolvi perguntar a ele se seria o escritor Rubem Alves (cujo nome eu havia visto na programação), ao que ele respondeu que sim.

Ok. Eu o chamaria à mesa então na hora certa.

Olhei meio por acaso para onde nos sentaríamos em seguida e constatei, perplexa, que faltava uma cadeira, necessária ao novo membro, naturalmente não prevista pela equipe de organização.

Como o conferencista brasileiro estava por perto e eu precisava ainda falar com o espanhol, que acabava de chegar, para dar-lhe as boas-vindas, pedi ao conterrâneo que, por gentileza, chamasse uma das mocinhas de blazer vermelho que cuidava da infraestrutura do evento para resolver o problema da cadeira. Ele disse simplesmente que não (!!!) e o meu estado de pânico aumentou mais alguns pontinhos…

Por sorte avistei uma mocinha dessas que passava lá longe e comecei a gesticular para ser vista, pelo amor de Deus. Ela veio sorridente e deu jeito na situação.

Bem, chegou enfim a hora de compor a mesa para começar os trabalhos e procedi como se estivesse emocionalmente normal e bem resolvida, sorrindo como se.

Comecei chamando primeiro a figura mais importante da conferência, que era justamente o italiano, dedução feita pela vastidão do currículo, porque, na realidade, eu não conhecia nenhum deles.

“Boa tarde a todos. Bem-vindos a esta importante conferência do ‘Congresso Ibero-Americano de Educação Especial – Diversidade na Educação: desafio para o novo milênio’, tão aguardado e blá, blá blá. Vamos iniciar a composição da nossa mesa chamando o Dr ………………. (apresentado resumidamente, nem lembro como), que vai dividir o tempo de sua fala com um importante escritor brasileiro que conheceu há pouco e já admira muito [nessa hora um anjo soprou em meu ouvido ‘Não diga que é o Rubem Alves’ e eu obedeci sem titubear], que eu tenho o prazer de chamar para juntar-se a nós.”

Levanta-se então da plateia o Thiago de Mello, altivo em seu terno de linho branco, passa por mim bem devagar e cochicha de forma imperceptível: “Querida, sou o Thiago de Mello”.

E eu, com o pânico aumentado, o saúdo alegremente: “Bem-vindo, poeta Thiago de Mello, que honra tê-lo conosco! Sente-se, por gentileza naquela cadeira da ponta.”

Bem, minha gente… com toda certeza ele percebeu o que tinha acontecido. E foi impecável. O anjo assoprão e o poeta me salvaram do que poderia ter sido um vexame acadêmico ibero-americano.

(Até hoje me pergunto o que o italiano teria entendido quando lhe perguntei se o escritor era o Rubem Alves e ele respondeu que sim… De qualquer modo, ele era um italiano, que se comunicava mal em espanhol e com quem eu conversava em português. Então tá…)

O fato é que, quando todos se sentaram e eu abri os trabalhos, não havendo mais providências a tomar, o pânico me dominou quase que completamente e daí eu não consegui prestar atenção em nada do que foi dito por nenhum dos três conferencistas, nem mesmo pelo brasileiro, por quem nutro um odiozinho até hoje em razão da total falta de solidariedade com quem está em uma situação de apuro evidente.

Eu só pensava no que faria na hora da síntese final do que foi abordado, antes de abrir o debate… Mas como padeço de um sentimento antigo de prepotência existencial – que é ter plena convicção de que não serei destruída por nada e nem por ninguém – segui na fé de que encontraria um jeito.

E quando todos terminaram, eu disse algo mais ou menos assim:

“Como os nossos conferencistas foram claríssimos em suas abordagens, e como alguns deles têm horários de voo logo mais, vou poupar vocês de uma síntese desnecessária, que ocuparia um tempo precioso agora, e passamos diretamente ao debate!”

Esse foi um dos maiores apuros que passei em toda a minha vida, nem preciso comentar mais nada…

Eu estava tão-tão-tão adrenalizada que, assim que a conferência acabou, saí do congresso e fui direto fazer aquele passeio de barco que passa quase debaixo das cataratas. Justo eu, que sempre achei impossível entrar num barco para navegar em águas turbulentas, cheguei até a sentir os respingos que se espalham, abundantes, das quedas d’água.

Vá em paz, Thiago! Sou eternamente grata a essa sua elegância amorosa comigo!

PS.
“Artigo XI.
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo.
muito mais belo que a estrela da manhã.”
(in ‘Estatutos do Homem’)

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Informações Recentes
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-> Texto sobre Pesquisa Narrativa publicado em 2022

Fontes de informações, Registros investigativos e Modos de produção de conhecimentos: uma compreensão da pesquisa narrativa articulada em três dimensões

-> Perfil no Instagram de Fragmentos Literários

Palavras sem Pressa

- Capa Insta FINAL ESTA COM BORDA Slide13

-> Manifesto dos Formadores, com centenas de signatários, aberto agora para novas assinaturas

Manifesto originalManifesto dos Formadores agora no Change

-> Curso O desejo, a necessidade e a pergunta como pontos de partida da formação ainda com algumas vagas

Formulário de Inscrição: Grupo de Aprofundamento Teórico-Metodológico sobre Formação

Abordagem Metodológica: Metodologias de Formação

-> Tudo sobre o Livro Des|Amorosas

Informações Gerais

Onde Adquirir:

Em Des|Amorosas na UmLivro.com e também nestes sites: Amazon, Estante Virtual, Mercado Livre, Submarino, Americanas, Casas Bahia e Ponto Frio – com entrega em todo o país e alguns deles com desconto.

-> Podcast da live É possível alfabetizar à distância?

Nesta conversa especial, os professores Ronaldo Alexandrino e Rosaura Soligo falam dos limites e das possibilidades do trabalho pedagógico dos alfabetizadores em tempos de ensino remoto e lembram a experiência no PROFA, o Programa de Formação de Professores Alfabetizadores, há mais de 20 anos.

Agora a live está disponível também em podcast na série A Educação em tempos de pandemia: É possível alfabetizar à distância?

Um tipo diferente de pesquisa em educação

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Revista de Educação

No primeiro dia de 2022, foi publicado, na Revista de Educación, o artigo Fontes de informações, Registros investigativos e Modos de produção de conhecimentos: uma compreensão da pesquisa narrativa articulada em três dimensões, resultado de uma parceria muito especial de Guilherme do Val Toledo Prado, Vanessa Simas e Rosaura Soligo.

“O texto apresenta uma discussão teórico-metodológica sobre um tipo específico de pesquisa narrativa que pressupõe a narrativa em três dimensões articuladas: nas fontes de dados, no modo de produzir conhecimento e no registro do texto investigativo. Nessa abordagem, os dados derivam de narrativas escritas pelo grupo de sujeitos e do registro narrativo produzido pelo pesquisador desde que a investigação tem início. A contribuição do presente texto diz respeito à problematização desse papel do registro, constitutivo e articulador das outras duas dimensões, pois a narrativa contínua do pesquisador é, ao mesmo tempo, um modo de documentar a pesquisa, subsidiar a produção de dados e produzir conhecimento no âmbito da temática investigada.”

Uma das principais diferenças desta abordagem de pesquisa narrativa é que o texto de registro da pesquisa é produzido desde o início, e não apenas no final, como documentação do trabalho realizado.

Para download: Fontes de informações, Registros investigativos e Modos de produção de conhecimentos

Manifesto dos Formadores

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- Manifesto ESTA

A Atuação dos Formadores Hoje

Este Manifesto é uma afirmação de princípios que dizem respeito à formação continuada de todos os profissionais que fazem acontecer a educação do nosso país, nem sempre tratados com os devidos cuidados metodológicos. Foi construído coletivamente pelos participantes do Curso Avançado de Formação de Formadores, coordenado por Rosaura Soligo em 2019, e depois passou a receber assinaturas de educadores de todo o país.

Considerando algumas características marcantes do contexto atual da educação no país:

Ambiente institucional nem sempre favorável para a aprendizagem dos profissionais, condições de trabalho muitas vezes difíceis e ausência de uma cultura consolidada de valorização da profissão e das pessoas que nela trabalham.
Meio social complexo e com muita desigualdade, conjuntura política instável e de retrocesso em relação aos direitos adquiridos, deterioração de valores construtivos importantes, avanço de um pensamento conservador perigoso e de estranhas visões de mundo superficiais e sem fundamentação.
Descontinuidade das propostas, o que acaba por provocar uma sensação instável de deriva.
Escolaridade básica por vezes precária, repertório cultural restrito, habilidades reflexivas pouco exercitadas, falta de engajamento de uma parte dos profissionais e, não raro, descrédito no poder da educação, na capacidade dos alunos e nas próprias possibilidades de atuação.

E considerando os desafios trazidos hoje pelo trabalho com as capacidades (aqui desmembradas) que compõem as Dez Competências Gerais da Base Nacional Comum Curricular – BNCC, previstas para orientar a Educação Básica nos próximos anos:

Compreender a realidade e colaborar para um mundo melhor.
Ter curiosidade intelectual e desenvolver a imaginação, a criatividade e o senso estético.
Pesquisar, elaborar e testar hipóteses, resolver problemas, encontrar soluções.
Refletir e produzir conhecimento.
Reconhecer, valorizar e apreciar as manifestações artísticas e culturais, participando delas sempre que puder.
Expressar-se e compartilhar informações, experiências, ideias e sentimentos.
Defender ideias e pontos de vista, argumentando a partir de fatos, dados e informações confiáveis.
Utilizar tecnologias digitais de comunicação e informação de forma crítica e ética.
Valorizar as diversidades dos indivíduos e grupos sociais, de saberes e vivências culturais.
Desenvolver a consciência socioambiental.
Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de si, reconhecendo as próprias emoções e as dos outros.
Fazer-se respeitar, respeitar os outros e defender os direitos humanos.
Fazer boas escolhas, compatíveis com o que deseja alcançar.
Agir com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
Exercitar autocrítica e capacidade para participar de grupos e lidar com as pressões que acontecem.
Praticar a empatia, o diálogo, o acolhimento, a cooperação e a resolução de conflitos.
Desenvolver autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação.
Tomar decisões segundo princípios éticos democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

Entendemos que são estas, a seguir, as ações imprescindíveis aos formadores dos profissionais da educação – chamados, neste texto, de educadores.

ATITUDES DOS FORMADORES EM RELAÇÃO À PRÓPRIA FORMAÇÃO

Investir continuamente na própria formação, buscando diferentes modos de ampliar os conhecimentos sobre: processos de aprendizagem (não só dos alunos, mas também dos profissionais); questões relevantes sobre o mundo contemporâneo, suas relações de poder, diferentes culturas e suas expressões; função social da escola hoje; formas de registro.
Acompanhar, registrar, analisar os dados trazidos pelos registros, avaliar e replanejar continuamente o trabalho proposto.
Empenhar-se em elaborar boas pautas formativas.
Participar de momentos de troca e reflexão com outros formadores (da mesma unidade ou de outras instituições) em diferentes espaços formativos de conversa ou estudo.
Desenvolver uma atitude de pesquisa da própria prática, registrar experiências e saberes experienciais compartilháveis, produzindo conhecimento profissional relevante a ser socializado com os pares.

-> Neste texto a concepção de pesquisa da prática é a mesma defendida no ensaio Metodologias Dialógicas de Formação:
https://rosaurasoligositeoficial.files.wordpress.com/2016/09/rosaura-soligo-metodologias-dialc3b3gicas-de-formac3a7c3a3o.pdf
A ideia é que um processo de produção de conhecimento pode ser considerado pesquisa sempre que há: uma questão para a qual intencionalmente buscamos respostas, soluções, alternativas; o diálogo com interlocutores que trazem contribuições para a compreensão da questão – autores que estudaram o assunto, colegas de trabalho e demais profissionais, parceiros críticos, amigos solidários que ajudam a pensar; organização e análise das informações disponíveis para compreender e encontrar respostas, soluções, alternativas para a questão e, de preferência, uma reflexão sobre o percurso, do início até esses resultados, ainda que provisórios ou parciais; e algum tipo de registro que documente isso tudo, com vistas à socialização.

PROPOSTAS E ATITUDES METODOLÓGICAS

Em relação aos educadores

Desenvolver uma prática formativa pautada na observação e na escuta, que permita identificar e considerar as expectativas e necessidades de aprendizagem dos educadores, tratando-os, de fato, como sujeitos/pessoas singulares.
Fortalecer o vínculo com os educadores, considerando que as relações formativas podem ser, ao mesmo tempo, afetivas e exigentes.
Incentivar os educadores a olharem retrospectivamente para a própria história de alunos que foram.
Instigar todo educador a estudar, buscar e produzir conhecimento, refletir de forma crítica, implicada e propositiva, contribuindo para que, conforme suas próprias possibilidades, se desenvolva como pesquisador e autor.
Favorecer a atitude de pesquisa da própria prática, o registro de experiências e saberes experienciais compartilháveis, a produção de conhecimento profissional relevante a ser socializado com os pares.
Contribuir para a desconstrução de mitos e modelos consolidados, que em nada contribuem para a aprendizagem dos alunos e dos próprios educadores.

Em relação aos temas propostos nas pautas

Organizar um programa articulado de formação contínua, projetando no tempo real disponível os temas dos encontros e as melhores propostas para abordá-los (em vez de definir o conteúdo de cada encontro separadamente), priorizando aqueles que dialoguem com a realidade dos educadores, tendo coragem para propor discussões complexas e polêmicas, e preparando-se adequadamente para elas.
Identificar quais das capacidades que compõem as Dez Competências Gerais da BNCC precisam ser abordadas na formação dos educadores, para que eles possam, por sua vez, se tornar cada vez mais capazes de abordá-las em seu próprio trabalho. Nesse sentido, empatia, diálogo, acolhimento, cooperação, resolução de conflitos, autonomia, flexibilidade, resiliência, determinação, consciência socioambiental e princípios éticos democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários parecem ser prioridades como conteúdos temáticos ou transversais.

Em relação às estratégias formativas

Empenhar-se por garantir, o máximo possível, a homologia dos processos propostos para a prática dos educadores e desenvolvidos em sua formação.
Definir os tipos de propostas considerando aquelas que podem ser melhores para abordar os conteúdos que contribuem para atender/responder às necessidades identificadas no grupo.
Utilizar diferentes abordagens, incluindo, sempre que possível, as que envolvem tecnologias digitais de comunicação e informação, artes e outras práticas culturais.
Valorizar, fortalecer e potencializar as experiências dos educadores, incentivando-os a narrá-las por escrito como puderem – esses registros são formas privilegiadas de reflexão e produção de conhecimento e, quando compartilhados, representam uma atitude generosa de socializar os saberes e contribuir com outros profissionais.
Favorecer a ampliação do universo cultural de todos.
Contribuir para a compreensão e análise crítica em relação a questões contemporâneas do país e do mundo, considerando o contexto sociocultural e político, instigando a participação dos educadores na vida social e na formulação, implementação e acompanhamento de políticas educacionais.
Propor atividades em pequenos grupos durante os encontros, organizadas em torno de situações-problema, simulações e vivências que façam sentido e sejam capazes de provocar interesse e engajamento, seguidas de momentos de socialização das discussões que valorizam os saberes do grupo.
Procurar não deixar perguntas importantes sem respostas, tampouco responder a perguntas que ainda não se colocaram como questões – é preciso primeiro fazer emergir as questões para depois, se for o caso, respondê-las.
Acompanhar as práticas dos educadores e, quando se tratar de formação na escola, acompanhar a rotina, observar aulas, analisar registros, compartilhar experiências e dar devolutiva sobre o trabalho que realizam.
Produzir devolutivas por escrito, valorizando posturas, gestos, estratégias, encaminhamentos considerados assertivos, ainda que esse tipo de devolutiva esteja fora do cronograma previsto – como uma delicadeza pedagógica.
Assumir sempre uma postura democrática e de incentivo à participação de todos – o que não significa se submeter ao grupo e nem deixar de coordená-lo de fato.
Promover autogestão em relação a atribuições e atitudes.
Evidenciar para os educadores que eles se tornam produtores de cultura à medida que estudam, discutem e criam individual ou coletivamente.
Avaliar e replanejar continuamente o trabalho proposto.

No momento, são essas as ações consideradas imprescindíveis aos formadores dos profissionais da educação em nosso país.

Texto em PDF com a lista de nomes ainda não finalizada:
Manifesto A Atuação dos Formadores Hoje (Outubro de 2021)

Seguem as assinaturas. 

COAUTORES DO TEXTO COLETIVO

​Rosaura Soligo | Adriana Aparecida Souza de Matos | Ana Paula Domingos Sacramento | Andrea Aparecida dos Santos Silva | Célia de Lourdes Amaral de Almeida | Cibelle Regielle Borges da Silva | Claudia de Souza Rosenburg | Cláudia G. Maldanis M J Pinheiro | Cristiane Rocha Ribas | Cristina Batista Leite da Silva | Diogo Fernando dos Santos | Diva Freire Carnevalli | Edna de Oliveira Telles | Elisabete Cardieri | Fernando Isao Kawahara | Gisele dos Santos Gomes da Silva | Grace da Silva Dutra Guedes | Isabel Cristina Zanchin | José Antonio Consentino | Juliana Prieto Magalhães | Karine Rezende | Katia Cristina Castro Santos Popov | Ligia Augusta Mori | Luciana Corrêa Guimarães | Marcia Benga Viana | Marcia Cordeiro Moreira | Marcielly Aráujo Brandão | Margareth Buzinaro | Maria Cecilia Gonçalves | Maria Helena Negreiros de Oliveira | Mayce Morini Gragnani | Michelle Dallacqua da Silva | Michelle de la Cruz Lui | Moacir de Pinho Izidoro | Paloma Nascimento de Freitas | Paula do Nascimento Julio Agnello | Paulo Alexandre Paliari | Renata Gonçalves Verdadeiro | Renata Pereira Batista | Renata Saraiva | Rondinélia E. Diniz Holanda Santos | Sabrina da Costa Dias | Selma Vilas Boas | Sibelle Telles | Sibéria Regina Carvalho | Susana Felix Paes Corrêa Leite | Vanessa Menezes | Vivian Maria Senne de Assis

PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO QUE SE JUNTARAM AOS AUTORES COMO SIGNATÁRIOS

(Para assinar, basta informar a intenção em rosaurasoligo@gmail.com ou assinar diretamente aqui: Manifesto dos Formadores no Change)

Adail Sobral
Adna de Almeida Lopes
Adriana Coan
Adriana Stella Pierini
Adrianna Nunez
Adriano Longhi Coutinho
Águeda Maria Brito de Castro Pereira
Alessandra Correia
Alessandra de Matos Silva Assis
Alexsandro do Nascimento Santos
Alice Romeiro
Aline Silva Borges
Amanda de Sá Lobregat
Ana Carolina Petreche Harris Sampaio
Ana Maria Falcão de Aragão
Ana Paula A. P. Ferreira
Ana Paula Dias Torres
Andrea Fernanda Delabio
Andrea Chiarelli Cilento
Andrea Marrubio
Andreza Américo de Oliveira
Anna Cristina Cardoso
Anne-Marie van Logchem Holman
Antonio B. Pacheco Júnior
Arabelle Calciolari
Bruna Assem Sasso dos Santos
Bruna Maia Duarte
Camila Chiara
Camila Crissiúma de Figueiredo
Carmen Sanches Sampaio
Carmen Alice Jimenes Gonçalves Dias Mendes
Cássia Mariotti Gaspar
Cecilia M A Goulart
Celisa Carrara Bonamigo
Cinthya Moscopf
Cíntia Aparecida Oliveira de Medeiros
Cíntia Nóbrega Nascimento Silva
Cláudia Roberta Ferreira
Claudia Muniz D Onofre
Claudia Vanessa Sartori Telles de Souza
Cleane Aparecida dos Santos
Conceição Aparecida de Mello
Cristiane Camargo
Cristiane Pelissari
Cristina Maria Campos
Daniel Bortolotti Calipo
Daniele Júlia Nascimento Martí
Débora Cristina de Oliveira
Debora Gil Souza
Débora Marreiro
Dimas Cássio Simão
Dinalva Serrate dos Santos Pinto
Doselene Carvalho de Oliveira Barreto
Dulce Cornetet dos Santos Pomilio
Edna Ribeiro dos Santos
Eduardo dos Reis Marcelino Neto
Eduardo Francini
Elaine Cristina Rodrigues Gomes Vidal
Elaine Maria de Souza Paião
Elaine Michele dos S. da Silva
Elaine Nogueira
Eliane Cristina de Oliveira
Eliane Greice Davanço Nogueira
Eliete Rodrigues
Elisabete Monteiro
Érica Cristina de Souza Sena
Erica Fernanda de Oliveira Menezes
Erika de Holanda Limeira
Ester Broner
Fabiana Esteves Ferreira Igreja
Fabrício Cruz Florêncio da Silva
Fátima Fonseca
Fernanda Camargo Dalmatti Alves Lima
Fernanda Scacchetti Godoi Peagno
Flavia Anastacio Paula
Flávia Maria Rabello Vianna
Florianita Coelho Braga Campos
Francine Postigo Marcos
Gisélia Oliveira de Sá Neves
Glaucia Helena Lopes de Lima
Grace Caroline Buldrin
Guilherme do Val Toledo Prado
Handherson Leyltton Costa Damasceno
Heloísa Martins Proença
Heloisa Vilas Boas
Henrique dos Santos Prasse
Hermes Talles dos Santos
Inês Bragança
Iris Francisco
Irlane Valeria Santos de Oliveira
Isabeli Corrêa de Andrade
Ivonete Tamboril
Janete Lyra
Jeanne de Freitas Pinheiro Souza
Joice Maria Lamb
Josefa Estela Titton Garcia
Juliana Cristina Chaves Buldrin Baiocchi
Juliana Gonçalves Diniz Fernandes
Juliane Meyer Trevisan
Juliana Vieira
Jussara Cristina Barboza Tortella
Kátia Marli de Moura
Léiva Rodrigues de Sousa
Liana Arrais Seródio
Ligia Ferreira Benate Gonçalves
Lilian Ceile Marciano
Liliane Aparecida Granzotti
Lucia Rodrigues Xavier Cunha
Luciana Barroso da Silva
Lucianna Magri
Luciana Melo de Araujo Brito
Lucimara Aparecida Neto
Maíra Libertad Soligo Takemoto
Mara Novello Gerbelli
Marceli Rodrigues
Márcia Al Alam Fernandez Olmedija
Marcia Hyppolito
Márcia Salgueiro
Maria Angela de Melo Pinheiro
Maria Angélica de Almeida Cintra
Maria Aparecida Aranha Rogel
Maria Aparecida Pinheiro Martin
Maria Auxiliadora Moro Dos Santos
Maria Baldin
Maria Cecília Cerminaro Derisso
Maria da Conceição C. Rosa (Nalu)
Maria Fernanda Pereira Buciano
Maria José da Silva Moraes
Maria Luisa Cassaniga
Maria Luísa Sacrini Magro
Maria Rita Penteado
Maria Roselei Neres Negro
Maria Teresa Cruz de Moares
Maria Teresa Esteban
Maria Teresa Nunes Lopes Fernandes
Mariana Soares Leme
Marieldes Moutinho Andrade Izidoro
Marileide Silva França
Marilene Freitas Silveira
Marilucia Ferreira
Marina Pereira Reis
Marjory Cristina de Souza Keller
Marta Rabioglio
Martha Sirlene da Silva
Mayara Leme de Almeida
Meire Contieri
Mércia Falcini
Miriam Martins Merchor
Mitiko Yonamine Takemoto
Mônica Maria Baruffi
Mônica Mendes e Silva Rocha
Natalina Farias
Nathalie Moreira Gonzaga Pascoalini
Norma Dilma dos Reis Almeida
Olavo Cunha
Patrícia Barreto
Patricia Dias
Patrícia Lacombe
Patrícia Regina Infanger Campos
Patrícia Regina de Carvalho Leal
Patrícia Yumi Fujisawa
Paula Massae Ikedo da Silva
Raquel Vieira Simões
Regina Celestino dos Santos
Regina Célia Guandalini
Regina Lúcia Rodrigues
Renata Barroso de Siqueira Frauendorf
Renata Cristina Oliveira Barrichelo Cunha
Renata Meijome
Renata Daniela de Cristo
Renata Del Monaco
Renata Lúcia de Morais Fernandes
Renata Queiroz de Moraes Americano
Renata Santana
Rita Buzzi Rausch
Ronaldo Fontes Júnior
Rosa Helena de Freitas Rogério Carvalho
Rosalinda Soares Ribeiro Vasconcelos
Rosa Maria Antunes de Barros
Rosana Barbosa Nunes
Rosangela Moreira Veliago
Roseli Aparecida Silva
Roseli Cristina David
Roseli Ferreira de Souza Araujo
Rosimeire Aparecida Vicente
Samanta Carnio Ferreira
Sandra da Cunha Cirillo
Sandra Medrano
Sheila Pereira Vaz de Paula Wakuda
Shirley Dias de Oliveira Melo
Silvana Aparecida D Aquila Garcia
Silvana dos Santos Silva
Silvia Gaioso
Sílvia Palaia
Silvia Pinheiro de Almeida Fernandes
Simone Pannocchia Tahan
Solange Cristina Vieira
Sonia Aidar Favaretto
Stella Maris Moura de Macedo
Sueli Rosa Gama Medeiros
Suzane Anete Rodrigues
Tamara Abrão Pina Lopretti
Tais Gonçalves
Taís Luciana de Souza
Telma Reis
Tereza Cristina Barreiros
Teresinha Vaz Coelho
Thailana Aparecida Cunha Matias
Thaís Monteiro Ciardella
Thaís Sindice Fazenda Coelho
Thais Ogeda
Tiago Efrem Andreeta
Valéria Vegas
Valquiria Aparecida Pereira da Silva
Valter Gomes
Vanessa Gonçalves de Andrade
Vera Denise de Souza Barba
Vera Elena Gruenfeld
​Virgílio Bandeira do Nascimento Filho
Wagner Cafagni Borja
Walter Takemoto
Wanessa Alves Henrique
Wania Maria Previattelli

DesAmorosas

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Des|Amorosas é um livro que reúne histórias de amor e desamor escritas por Rosaura Soligo e ilustradas pelo artista plástico Araguaí Garcia. São Escritas Biográficas, Histórias e Caraminholas, com prefácio do psicólogo Alexandre Coimbra Amaral e posfácio do escritor argentino Carlos Skliar. As apresentações são de Adail Sobral, Guilherme do Val Toledo Prado e Rosalie Gallo. Fátima Secches e Edson Sanches, da GFK Comunicação, assinam a edição e produção do livro.

Comentário de Alexandre Coimbra Amaral: Des|Amorosas é um balé sem sapatilha de ponta

Leitura do posfácio por Carlos Skliar: Que poder o amor ainda possui?

Conheça alguns dos efeitos nos leitores: Álbum de retratos

Breve apresentação: Como o livro nasceu e leituras

Página: DesAmorosas no Facebook

Leitura de Alexandre Coimbra Amaral no Instagram: O medo

ONDE ADQUIRIR O LIVRO
Amazon – https://url.gratis/0lkooc
Um livro – https://loja.umlivro.com.br/des%7Camo…
Estante Virtual – https://www.estantevirtual.com.br/mod…
Mercado Livre – https://produto.mercadolivre.com.br/M…
Submarino – https://www.submarino.com.br/busca/35…
Americanas – https://www.americanas.com.br/produto…
Casas Bahia – https://www.casasbahia.com.br/des-amo…
Ponto Frio – https://www.pontofrio.com.br/Des%7CAm…

Assista!
Live de Lançamento de Des|Amorosas

#DesAmorosas

Que poder o amor ainda possui?

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Des|Amorosas – Retratar o amor

Leitura do posfácio do livro Des|Amorosas por Carlos Skliar
no dia do lançamento, 15 de julho de 2021.

Momento muito especial em um dia inesquecível…

“Todas as vidas poderiam ser narradas a partir de determinadas palavras, palavras que a mitologia, a história, a filosofia, a poesia ou a arte em geral têm enfatizado com alguma insistência. Também é certo que toda narrativa – isto é, toda vida – é afetada por palavras descartadas, ignoradas ou esquecidas.

Vidas atravessadas por palavras. Vidas envoltas pela bruma do silêncio.

As palavras tendem a dançar ao nosso redor e a nos convidar ao movimento comum, à conversação, à comunhão. Mas podem também nos separar, nos tornar dessemelhantes, nos afastar para sempre. Uma palavra qualquer, digamos, corpo. Aí se concentra o animado ou o inanimado, o instinto, o ímpeto, o gozo, o prazer, o desejo. Mas também o abandono, o efêmero, a afronta, a grande distância. Ou a palavra rosto: gestos que se concentram entre o olhar que dá passagem ou fecha todas as portas, e a boca que dirá ou calará ou sorrirá ou permanecerá inerte. Ou a palavra tempo: esse instante que se retém ou se esvai, a fatalidade, a duração, o achado, a perda, a intensidade.

E o que pode acontecer ao se pronunciar, ao se dizer, ao lançar ou manter na ponta da língua a palavra amor? Desde a mais absoluta banalidade, o império do supérfluo, passando pelos modos institucionalizados em que o mundo costuma subjugar as palavras em seus dicionários até chegar à potência máxima de uma poética que, mesmo assim, ainda não se decide entre tocar o céu, naufragar em mares agitados ou alcançar a incendiária densidade dos infernos.

A trajetória descrita pela palavra amor tem tal amplitude, é tão tensa e tão intensa quanto o são as vidas que a contêm e guardam ou escondem e descartam. E às vezes vem a confundir-se com a inacreditável nitidez e variação de um arco-íris ou com a silenciosa impaciência de um arqueiro a ponto de lançar sua ira cega e desenfreada.

(…)”
Carlos Skliar

Informações sobre o livro: Des|Amorosas

Carta para as professoras

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Quando a Exaustão escreve uma Carta
para as Professoras deste país

Alexandre Coimbra Amaral

Xande

Olá.

Muito prazer, eu sou a Exaustão. Sou parte da sua vida, como professora e também fora dos espaços docentes. Quero te pedir licença para conversarmos.

Eu vejo você.

Eu vejo sua testa que franze sem que você se aperceba.

Eu vejo a lágrima, ora seca sem que isto signifique que você está em paz, ora derramada sem que você a tivesse convidado a se apresentar ao mundo. Eu vejo o seu medo de retornar à escola, inclusive porque você é mestra e aprendiz desta forma nova de viver, e se sente responsável por educar também nesta matéria nova.

Acontece que esta matéria é e sempre será nova para você, também. Não há mestres absolutos na aprendizagem pandêmica. Há aprendizes carregando suas cicatrizes, entre diálogos e sentimentos.

Por isso, eu vim conversar com você.

Porque eu desacredito nesta obrigatoriedade de desempenhar um suposto equilíbrio emocional. Eu vim lhe recordar que estes tempos são como o vulcão que erodiu. À medida que a lava vai saindo, os geógrafos vão compreendendo que ele demorará mais para terminar de lançar seu fogo terra abaixo. É impossível prever, é impossível controlar. A única coisa urgente a se fazer é se proteger.

Tantas vezes, a produtividade esperada de você fez com que você se sentisse desprotegida, exposta em suas dores que foram se acumulando quarentena afora. Tantas vezes, você teve que se haver com o choro do seu filho, tendo que dizer a ele que precisava cuidar dos filhos dos outros, que aguardavam do outro lado da tela.

Outras tantas vezes eu te vi sem entender como conseguir ser o elo de sempre entre a pergunta e o desejo de saber, nesta nova arquitetura da sala de aula que fazia a atenção desmoronar, a concentração se perder entre saudades e suspiros, e o encontro se reduzir a microfones e câmeras fechados.

Tantos se foram neste tempo, desde que as escolas fecharam as portas no ano passado. Mortes incontáveis, pessoas inestimáveis, lutos que se apresentam em inquestionável longevidade. Todas vocês, ainda que celebrando a chegada até aqui com vida e saúde, foram também vítimas de um tempo centralizado no aparecimento de um vírus que aos poucos ficou mais conhecido, para agora ser minimamente debelado através das vacinas que chegaram finalmente aos braços de vocês e de seus familiares.

É hora de reconhecer que vocês são, sim, merecedoras de um diploma de aprendizes da vida.

Vocês foram as guardiãs da angústia de tantas crianças e adolescentes, que se manifestavam sobretudo nas ausências, nos silêncios, na face soturna e na luz que sombreava os sentimentos mais evidenciáveis. Vocês cuidaram deles, mesmo em momentos em que não sentiam que estavam nada bem. Vocês tiveram que aprender a falar para ninguém e para todos ao mesmo tempo, inventando diálogos com o vazio de todos e de cada um.

Eu vi a solidão de vocês.

Eu vi a solidão daquelas de vocês que se entristeceram pelas desigualdades sociais amplificadas pela pandemia, e que fizeram tantos de seus estudantes ficarem órfãos da escola e de tudo o que ela significa para eles, que vivem tantas faltas básicas em suas vidas.

Eu vi sua maternidade se colapsando, eu vi seu casamento se desencontrando, eu vi seus filhos entre a irritação, o medo e o desencanto com a duração de uma quarentena que lhes retirava o direito de expandir na vida com seus corpos e seus desejos sem nome.

Eu vi você chorando sozinha, eu vi você deixando de chorar porque tinha coisas a fazer, eu vi você se culpando de coisas que não são de sua responsabilidade. Eu senti suas dores, mas também quero lhe recordar do seu brilho.

Você é o meu avesso. Porque eu não sou o mesmo que o descanso, eu sou o contrário da beleza de que vocês se esquecem que sempre existiu ao alcance do coração.

E você é a real beleza deste mundo.

Por isso, eu vim lhe cumprimentar porque chegou até aqui como uma releitura daquilo que estava habituada a ser. Você é uma pessoa que não mora mais no mesmo corpo, nem no mesmo mundo.

Eu vejo você recebendo os estudantes no retorno presencial sem poder abraçá-los, entre a emoção e o incômodo de ter que se comunicar com os olhos que sobrevivem incólumes ao esconderijo das máscaras.

Repare bem: você começa abraçando seu estudante SE DANDO UM ABRAÇO, para metaforizar o que não pode acontecer ainda em toda a sua tridimensionalidade. E é assim que quero me despedir de você, nesta carta: em tempos árduos, o abraço em você vem primeiro.

Receba o meu abraço como um lembrete de que o abraço em você é prioritário, que você merece muito mais do que este mundo injusto lhe devota em forma de reconhecimento de todas as ordens. Você é o chão em que os futuros podem ter esperança de acontecer. Você é a lavanda que perfuma o deserto, em memória e presença. Você é a textura da pergunta que leva alguém a entender que é possível saber mais do seu mundo.

Em você, eu vejo a possibilidade.

Em você, o olhar se reveste de pura verdade.

Com você, este país pode ter a certeza de resistir.

Porque você é a brisa que junta os tijolos do tempo, para além de qualquer argamassa.

E assim eu me despeço, porque você merece viver para muito além de mim.

Você tem a alma que me contrasta.

Eu vejo você, suas dores, o imenso valor que sustenta suas práticas, a vida complexa demais para deixá-las acontecerem como você gostaria. E ainda assim você persiste.

Daqui, de algum lugar entre o agora e o sempre, eu quero lhe agradecer pela sua capacidade de fazer este país renascer, a cada nova pessoa que floresce na sustentação do seu encantamento.

Obrigado por me ensinar a esperançar.

Feliz Dia da Professora.